sábado, 23 de novembro de 2013

Obras: 'Os dois irmãos' de França Junior e 'Dois irmãos' de Milton Hatoum

A narrativa da obra ‘Os dois irmãos’ de França Junior se passa em um espaço rural e tem como protagonistas dois irmãos. Um é denominado como o ‘homem’ e o outro como o ‘irmão’. O ‘homem’ vivia sempre atrás do ‘irmão’, preocupado com o que ele estava fazendo, se estava trabalhando e cuidando de sua família e sempre estava a sua procura, pois gostaria que ele fosse trabalhar na cidade assim como ele e esta busca se passa durante toda a obra, como se este fosse a sombra do ‘irmão’ e não conseguisse viver sem ele. O que chama a atenção é como o ‘irmão’ levava a vida no mais simples possível e era na simplicidade que via sentido na vida apesar de sempre parecer está em busca de algo muito grande e muito importante que nem ele mesmo conseguia decifrar o que era. O ‘irmão’ apesar de sua pobreza sempre procurar ajudar a quem necessitasse sem distensão de quem e este fato incomodava por demais ao ‘homem’ que no decorrer da obra percebe-se que este procura ser parte do ‘irmão’, os personagens apresentam uma dualidade em que as duas metades tão distintas juntas formam uma única pessoa onde a personalidade do ‘homem’ fosse a parte obscura e o ‘irmão’ fosse a parte serena e por isso se justifica toda a perseguição feita ao longo da obra.
Já na obra ‘Dois Irmãos’ de Milton Hatoum tem como cenário a cidade de Manaus na época da ditadura e se inicia com a volta do gêmeo Yacub que foi enviado para o Líbano na tentativa de acabar com a rivalidade com o outro gêmeo Omar, mas acabou sendo frustrada, pois a partir desse momento a relação entre os dois pioraram e enquanto Yacub se emudecia e arquitetava seu plano de se mudar e fazer a sua vida longe de tudo e de todos. Seu irmão Omar vivia sob as “asas” da mãe, fazendo tudo o que queria, mas sempre submisso a ela que o dominava e controlava não só a este como a todos que moravam naquela casa sendo a principal culpada de todos os confrontos entre os filhos e por isso Yacub busca sua independência que acaba se tornando um modo de superação pessoal por ser em todo o enredo esquecido pela mãe. Omar realiza ações que por diversas vezes podem ser consideradas como erradas aos olhos do leitor, mas é sempre apoiado pela mãe que o encobre, não o reprime, entretanto se percebe um ressentimento por parte deste em relação à conduta e proezas alcançadas por Yacub na cidade de São Paulo e isso o irrita muito quando sua mãe ou qualquer outra pessoa toca no assunto. A obra é narrada por Nael que busca durante toda história saber quem é seu pai biológico, narrando fatos que lhe foram contados e outros que ele mesmo presenciou e sendo que nutre algum sentimento pelos gêmeos deixa em evidencia sua visão sobre cada acontecimento e por isso o leitor pode se perguntar se tudo que é contado realmente aconteceu ou foi dessa forma que o narrador interpretou? Fica a dúvida

Literatura Comparada: resenha

CARVALHAL, Tania Franco. Literatura comparada. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Ática, 1992. 94 p.
            Esta obra traz uma análise a cerca da literatura comparada, abordando desde seus primórdios - onde ainda não tinha como definido seu objeto de estudo – analisa seus usos e contribuições dentro da literatura, verificando se esta é um novo ramo ou a mesma literatura geral que já existia segundo seus principais críticos e idealizadores.
            Este livro é dividido em noventa e quatro páginas e sete capítulos, nos quais os cinco primeiros são teóricos e os dois últimos são relativos ao vocabulário e referências bibliográficas.
            Para iniciar sua abordagem sobre a literatura comparada, no primeiro capítulo discute-se o principio de tudo, como os crítico e historiadores abordavam este tema e até a que certo ponto esta poderia abranger. Faz um breve resumo sobre o surgimento desta em países como a Alemanha, França, Itália, Portugal referindo se ainda ao porque de ser chamada de Literatura Comparada e sua diferença segundo alguns críticos com a Literatura Geral.
            No segundo capítulo demonstra as contribuições de alguns críticos como Van Tieghem, Simon Jeune e Jean-Marie Carré para a literatura comparada e no Brasil referem se a Tasso da Silveira, quem apresentou esta com função de comparar uma obra ou um autor com obras ou autores estrangeiros, de um momento literário ou da literatura interna de um país a momentos ou a literaturas de outros países e diferente deste crítico a autora postula que não é apenas investigar no sentido periférico, mas sim que esta vai além e para isso utiliza do auxilio da investigação histórica e da reflexão como grande apoio para se alcançar os resultados esperados na literatura.
            Em um momento da historia parecia que os autores franceses recebiam todo o destaque na literatura por estes serem seus pioneiros e no terceiro capítulo traz a transformação deste cenário com o surgimento de autores como René Wellek que propõe o retorno à perspectiva e análise críticas de textos deixando de lado questões exteriores e apesar de se dizer que ele não trouxe exatamente nada de novo, mas seus estudos sobre o estruturalismo tradicionalista incentivaram novos críticos na busca do conhecimento.
            No quarto capítulo traz a literatura comparada auxiliada em sua elaboração pela teoria da literatura e esta auxilia não só o estudo ao elemento em si, mas em toda sua proporção e tudo o que forma seu contexto, pois esta está ligada a várias formas e expressões de arte. Tal forma de estudo não é uma simples recopilação de um texto já existente e sim a absorção e transformação do mesmo, segundo Júlia Kristeva este processo passa a ser compreendido como um processo natural e contínuo de reescrita de textos. Um texto ao se basear em outro os seus escritos se modificam e passam a ser parte de algo novo, de uma nova escrita.
            No quinto e último capítulo teórico a autora utiliza do Manifesto Antropofágico para exemplificar a colonização por parte dos europeus que centralizavam o comparativismo em suas mãos e dessa forma surgiu a extrema necessidade dessa desvinculação e interação com os outros país onde já se produziam estudos deste mesmo nível, uma vez que os estudos literários comparados não estão exclusivamente a serviço das literaturas nacionais e sim a serviço de todas formas literárias, demarcando sua evolução, fazendo crítica e apontando sua historicidade e seus fenômenos. Em síntese pode se dizer que com o passar de todos esses anos o comparativismo deixou de ser o simples confronto entre duas obras para contribuir para a elucidação de questões literárias que exijam perspectivas mais amplas em diferentes contextos literários, atingindo novos horizontes do conhecimento.
            No sexto e sétimo capitulo ela traz respectivamente um vocabulário crítico com termos utilizados no campo literário e cada biografia com um pequeno comentário que fora utilizado para a elaboração e produção deste livro.
            Ao concluir a leitura deste livro pode se observar que sua abordagem vem com o intuito de clarear todo o conceito que se tenha sobre a literatura comparada. Apresenta desde seu surgimento, seus pioneiros até os movimentos que a influenciaram e deixa claro que sua função não é a de simplesmente comparar, mas sim analisar e transformar a este através de sua ligação com a arte. 
            A obra é indicada para graduandos, professores e demais interessados no estudo da literatura comparada podendo ser manejada com uma ferramenta auxiliadora em sua investigação, visando a literatura comparada desde seu surgimento e suas contribuições até os dias atuais.

            Tendo como autora desta obra Tania Franco Carvalhal, esta que é Doutora em Teoria da Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP), além disso, foi visiting professor no Departamento de Literatura Comparada da Universidade de Indiana, Bloomington (USA) em 1990, ministrando curso para o programa de pós-graduação e é professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Análise do conto “Casa Tomada” de Julio Cortázar

O desenrolar do conto ocorre em um tempo cronológico, descrevendo a rotina dos personagens durante os dias que passam em uma casa espaçosa e muito antiga. Os protagonistas são Irene e seu irmão que também é o narrador, são personagens planas, não evoluem, não se modificam e em certos momentos é como o próprio narrador afirma paracem que pararam de pensar.
Ao ler o conto primeiramente mim causou um certo desconforto em relação ao modo de vida dos personagens, sua rotina , seu ócio, descordando totalmente da fala do narrador quando diz “da para se viver sem se pensar” e na continuação do conto senti muita curiosidade para descobrir quem estava tomando a casa, se eram pessoas, animais, força ou seres sobrenaturais ou se tudo não passava de imaginação.
Dentro do texto há verossimilhança, as ações praticadas pelos personagens não fogem a realidade, são possíveis de ocorrer, apesar de pouco provável serem praticadas por pessoas em sã consciência.

É narrado por um narrador personagem que narra o conto em primeira pessoa do plural. Pode se dizer que existe obras do fantástico no decorrer dos fatos, pois duranteo tempo em que a casa está sendo tomada ocorre uma exitação por parte dos personagens no qual se assemelha ao medo e para o leitor gera dúvida: É real ou não? Quem são os invasores? Como eles sabem que são invasores? São seres de suas mentes ou não?  

domingo, 11 de agosto de 2013

El viento en la isla (Pablo Neruda)

El viento es un caballo:
óyelo cómo corre
por el mar, por el cielo.

Quiere llevarme: escucha
cómo recorre el mundo
para llevarme lejos.

Escóndeme en tus brazos
por esta noche sola,
mientras la lluvia rompe
contra el mar y la tierra
su boca innumerable.

Escucha como el viento
me llama galopando
para llevarme lejos.

Con tu frente en mi frente,
con tu boca en mi boca,
atados nuestros cuerpos
al amor que nos quema,
deja que el viento pase
sin que pueda llevarme.

Deja que el viento corra
coronado de espuma,
que me llame y me busque
galopando en la sombra,
mientras yo, sumergido
bajo tus grandes ojos,
por esta noche sola
descansaré, amor mío.

Pablo Neruda es un gran poeta chileno ganador del premio nobel de literatura en 1971. Algunos libros: Cien años de soledad, Cien sonetos de amor, Veinte poemas de amor y una canción desesperada, Todo el amor... 

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Este es un espacio para hablarmos del arte de la palabra. Escriban y comenten todo lo que les gusta de la literatura, vamos establecer comunicación cambiar ideas y autores.