A
narrativa da obra ‘Os dois irmãos’ de França Junior se passa em um espaço rural
e tem como protagonistas dois irmãos. Um é denominado como o ‘homem’ e o outro como
o ‘irmão’. O ‘homem’ vivia sempre atrás do ‘irmão’, preocupado com o que ele
estava fazendo, se estava trabalhando e cuidando de sua família e sempre estava
a sua procura, pois gostaria que ele fosse trabalhar na cidade assim como ele e
esta busca se passa durante toda a obra, como se este fosse a sombra do ‘irmão’
e não conseguisse viver sem ele. O que chama a atenção é como o ‘irmão’ levava
a vida no mais simples possível e era na simplicidade que via sentido na vida
apesar de sempre parecer está em busca de algo muito grande e muito importante
que nem ele mesmo conseguia decifrar o que era. O ‘irmão’ apesar de sua pobreza
sempre procurar ajudar a quem necessitasse sem distensão de quem e este fato
incomodava por demais ao ‘homem’ que no decorrer da obra percebe-se que este
procura ser parte do ‘irmão’, os personagens apresentam uma dualidade em que as
duas metades tão distintas juntas formam uma única pessoa onde a personalidade
do ‘homem’ fosse a parte obscura e o ‘irmão’ fosse a parte serena e por isso se
justifica toda a perseguição feita ao longo da obra.
Já na obra ‘Dois Irmãos’ de
Milton Hatoum tem como cenário a cidade de Manaus na época da ditadura e se
inicia com a volta do gêmeo Yacub que foi enviado para o Líbano na tentativa de
acabar com a rivalidade com o outro gêmeo Omar, mas acabou sendo frustrada,
pois a partir desse momento a relação entre os dois pioraram e enquanto Yacub
se emudecia e arquitetava seu plano de se mudar e fazer a sua vida longe de
tudo e de todos. Seu irmão Omar vivia sob as “asas” da mãe, fazendo tudo o que
queria, mas sempre submisso a ela que o dominava e controlava não só a este como
a todos que moravam naquela casa sendo a principal culpada de todos os confrontos
entre os filhos e por isso Yacub busca sua independência que acaba se tornando
um modo de superação pessoal por ser em todo o enredo esquecido pela mãe. Omar
realiza ações que por diversas vezes podem ser consideradas como erradas aos
olhos do leitor, mas é sempre apoiado pela mãe que o encobre, não o reprime,
entretanto se percebe um ressentimento por parte deste em relação à conduta e
proezas alcançadas por Yacub na cidade de São Paulo e isso o irrita muito
quando sua mãe ou qualquer outra pessoa toca no assunto. A obra é narrada por
Nael que busca durante toda história saber quem é seu pai biológico, narrando
fatos que lhe foram contados e outros que ele mesmo presenciou e sendo que
nutre algum sentimento pelos gêmeos deixa em evidencia sua visão sobre cada
acontecimento e por isso o leitor pode se perguntar se tudo que é contado
realmente aconteceu ou foi dessa forma que o narrador interpretou? Fica a
dúvida
sábado, 23 de novembro de 2013
Literatura Comparada: resenha
CARVALHAL,
Tania Franco. Literatura
comparada. 2. ed. rev. e
ampl. São Paulo: Ática, 1992. 94 p.
Esta obra traz uma análise a cerca
da literatura comparada, abordando desde seus primórdios - onde ainda não tinha
como definido seu objeto de estudo – analisa seus usos e contribuições dentro
da literatura, verificando se esta é um novo ramo ou a mesma literatura geral
que já existia segundo seus principais críticos e idealizadores.
Este livro é dividido em noventa e
quatro páginas e sete capítulos, nos quais os cinco primeiros são teóricos e os
dois últimos são relativos ao vocabulário e referências bibliográficas.
Para iniciar sua abordagem sobre a
literatura comparada, no primeiro capítulo discute-se o principio de tudo, como
os crítico e historiadores abordavam este tema e até a que certo ponto esta poderia
abranger. Faz um breve resumo sobre o surgimento desta em países como a
Alemanha, França, Itália, Portugal referindo se ainda ao porque de ser chamada
de Literatura Comparada e sua diferença segundo alguns críticos com a Literatura
Geral.
No segundo capítulo demonstra as contribuições
de alguns críticos como Van Tieghem, Simon Jeune e Jean-Marie Carré para a
literatura comparada e no Brasil referem se a Tasso da Silveira, quem
apresentou esta com função de comparar uma obra ou um autor com obras ou
autores estrangeiros, de um momento literário ou da literatura interna de um
país a momentos ou a literaturas de outros países e diferente deste crítico a
autora postula que não é apenas investigar no sentido periférico, mas sim que esta
vai além e para isso utiliza do auxilio da investigação histórica e da reflexão
como grande apoio para se alcançar os resultados esperados na literatura.
Em um momento da historia parecia que
os autores franceses recebiam todo o destaque na literatura por estes serem seus
pioneiros e no terceiro capítulo traz a transformação deste cenário com o surgimento
de autores como René Wellek que propõe o retorno à perspectiva e análise
críticas de textos deixando de lado questões exteriores e apesar de se dizer
que ele não trouxe exatamente nada de novo, mas seus estudos sobre o
estruturalismo tradicionalista incentivaram novos críticos na busca do
conhecimento.
No quarto capítulo traz a literatura
comparada auxiliada em sua elaboração pela teoria da literatura e esta auxilia
não só o estudo ao elemento em si, mas em toda sua proporção e tudo o que forma
seu contexto, pois esta está ligada a várias formas e expressões de arte. Tal
forma de estudo não é uma simples recopilação de um texto já existente e sim a
absorção e transformação do mesmo, segundo Júlia Kristeva este processo passa a
ser compreendido como um processo natural e contínuo de reescrita de textos. Um
texto ao se basear em outro os seus escritos se modificam e passam a ser parte
de algo novo, de uma nova escrita.
No quinto e último capítulo teórico
a autora utiliza do Manifesto
Antropofágico para exemplificar a colonização por parte dos europeus que
centralizavam o comparativismo em suas mãos e dessa forma surgiu a extrema
necessidade dessa desvinculação e interação com os outros país onde já se
produziam estudos deste mesmo nível, uma vez que os estudos literários
comparados não estão exclusivamente a serviço das literaturas nacionais e sim a
serviço de todas formas literárias, demarcando sua evolução, fazendo crítica e
apontando sua historicidade e seus fenômenos. Em síntese pode se dizer que com
o passar de todos esses anos o comparativismo deixou de ser o simples confronto
entre duas obras para contribuir para a elucidação de questões literárias que
exijam perspectivas mais amplas em diferentes contextos literários, atingindo
novos horizontes do conhecimento.
No sexto e sétimo capitulo ela traz
respectivamente um vocabulário crítico com termos utilizados no campo literário
e cada biografia com um pequeno comentário que fora utilizado para a elaboração
e produção deste livro.
Ao concluir a leitura deste livro
pode se observar que sua abordagem vem com o intuito de clarear todo o conceito
que se tenha sobre a literatura comparada. Apresenta desde seu surgimento, seus
pioneiros até os movimentos que a influenciaram e deixa claro que sua função
não é a de simplesmente comparar, mas sim analisar e transformar a este através
de sua ligação com a arte.
A obra é indicada para graduandos,
professores e demais interessados no estudo da literatura comparada podendo ser
manejada com uma ferramenta auxiliadora em sua investigação, visando a
literatura comparada desde seu surgimento e suas contribuições até os dias
atuais.
Tendo como autora desta obra Tania
Franco Carvalhal, esta que é Doutora em Teoria da Literária e Literatura
Comparada pela Universidade de São Paulo (USP), além disso, foi
visiting professor no Departamento de Literatura Comparada da Universidade de
Indiana, Bloomington (USA) em 1990, ministrando curso para o programa de
pós-graduação e é professora titular da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul.
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